quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Ditadura argentina nas notas de Gotan Project


A combinação entre futebol e música parece uma fórmula perfeita para ensinar História. E neste caso tenho convicção de suas ricas possibilidades.
Esta é uma banda argentina chamada Gotan Project que faz tango doidão... coisa da mais fina.
E essa música então... pultz....
Outra hora teorizo um pouco sobre a combinação Música+Aula de História.

Segue a letra

Epoca
Si desapareció
En mi aparecerá
Creyeron que murió
Pero renacerá
Llovió, paró, llovió
Y un chico adivinó
Oímos una voz, y desde un tango
Rumor de pañuelo blanco


No eran buenas esas épocas
Malos eran esos aires
Fue hace veinticinco años
Y vos exístias

No eran buenas esas épocas
Malos eran esos aires
Fue hace veinticinco años
Y vos existías, sin existir todavía



Si desapareció
En mi aparecerá
Creyeron que murió y aquí se nace
Aquí la vida renace



No eran buenas esas épocas
Malos eran esos aires
Fue hace veinticinco años
Y vos exístias



No eran buenas esas épocas
Malos eran esos aires
Fue hace veinticinco años
Y vos existías, sin existir todavía



PS. Que baita negócio com área de lingua estrangeira eim, eim !!??!!

"Futbol y Terror"



Um pouco da História da Copa do Mundo que escondeu os crimes dos militares argentinos.
A copa de 1978 foi utilizada pelos ditadores argentinos como forma de divulgar seu país, uma sinistra história que mistura política, futebol e economia, além de torturas e assassinatos.

El futbol y el terror - A ditadura argentina - 1976 - 1983



Nossos vizinhos argentinos, assim como nós brasileiros, viveram um período bastante obscuro nas decadas de 70 e 80 do século XX. Liberdades individuais e coletivas foram suprimidas, assim como a vida de muitos dos que ousaram lutar contra o regime vigente.
Uma estratégia bastante utilizada pelos governos ditatoriais para acobertar seus crimes e conter as tensoes sociais foi propaganda, na Argentina não foi diferente. Além do auxílio de parte da grande mídia argentina, tal como no Brasil, o regime foi contou com a criação de um inimigo externo (a Inglaterra, no caso da Guerra das Malvinas) e um grande evento esportivo internacional, a Copa do Mundo de 1978.
O futebol pode ser um poderoso instrumento de leitura da História, sendo possível ver nele elementos não só referentes à prática esportiva, mas também traços da sociedade, da política ou da economia de um determinado espaço.
Segundo a filósofa argentina Beatriz Sarlo, o Mundial de 78 ficou na memória dos argentinos como um acontecimento especail, isolado pela perfeição como foi construído um apaziguamento popular em um país de desaparecidos e de campos de tortura. Tal memória também foi construída em torno da Guerra das Malvinas em 1982.
Sobre a possíbilidade de ver o futebol de uma forma crítica e utilizá-lo em sala de aula, Sarlo da a seguinte dica: "Seria possível explicar-lhes (aos alunos), entre uma aprtida e outra, que, em 1978, na Argentina, uma ditadura militar assassinoue encarcerou milhares de homens e mulheres"; "se o objetvo´for ensinar costumes, é possível explicar aos alunos mais velhos como as ditaduras transformam os cenários esportivos em cenários políticos" (Sarlo, Tempo presente, pg. 124 e 126)
São muitas as possibilidades de utilização do futebol em sala de aula, esta, indicada pela argentina Beatriz Sarlo, se encaixa muito bem em tempos de copa do mundo, como será o ano de 2010.
Segue dois vídeos para facilitar o entendimento...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Tempos Modernos



Este breve causo relatado abaixo dá início a uma bela aula de História sobre Revolução Industrial, Relações capitalistas e uma porção de outras coisas.
Praticamente uma exigência pra qualquer estudante é assistir a obra prima de Charles Chaplin Tempos Modernos, datada de 1936. Este filme trata não só do mundo em crise após o Crack de 1929 como também das relações de vida e trabalho que a intensa industrialização legou para os povos.
Segue um pequeno trecho dessa maravilha do Chaplin.

A Revolução Industrial dentro da Estofaria


Um dia conversando com meu amigo Célio, goleiro do valoroso Tupan Futebol Clube e proprietário da Estofaria Souza, foi me confidenciado a sua dificuldade em encontrar um auxiliar para seu ofício de estofador.
Uma estofaria é como um lugar onde as pessoas que não podem ou não querem comprar um sofá novo podem levar seus belos cômodos para serem recauchutados, ou seja: como a recapagem de pneus, uma estofaria deixa novinho um sofá abandonado, com os braços quebrados (sim, sofá tem braço), espuma desgastada, com o tecido que rasgou de tanto agüentar traseiro escorado pra marmanjo ficar o olhando Faustão.
O processo de modificação de um sofá é simples, embora trabalhoso: 1) o setor de relações públicas recebe o interessado e registra seus anseios. 2) o setor técnico recebe o produto e faz a avaliação: tecido novo, mais esponja, e um reforço na armação de madeira. 3) o setor fazendário avalia os custos do material a ser utilizado, do tempo gasto para realizar o trabalho, do desgaste das ferramentas e da depreciação da estrutura da estofaria durante o trabalho; após isso passa o valor: D$ 700 (setecentos dinheiros). 4) o orçamento chega nas mãos do setor de relações públicas e este repassa para interessado. O meu amigo Célio faz tudo isso sozinho. Ele não sabe que tem esses nomes, mas faz tudo certinho além de ser goleiro do Tupan Futebol Clube, o maior time de Futsal de Tupanciretã.

Célio parece estar na contramão da história, ao invés de se especializar em uma única coisa, ele faz todas, atua em vários setores. Mas talvez seja ele o protótipo do Homem Moderno: versátil, pró-ativo, dinâmico, enfim moderno.
É sabido, ao menos entre nós professores de História, que a Revolução Industrial teve como seu setor mais importante a indústria têxtil, esta que alimenta o trabalho do meu amigo Célio. A história das relações capitalistas mostra que vivemos há muito tempo num processo de especialização das competências e profissões, na qual tudo é mercadoria e, portanto, tem um preço. Assim é com a força de mão de obra, uma mercadoria que tem preço.
Foi nesse meio que tive minhas primeiras atuações no mercado de trabalho, atuando como auxiliar de desmanche (tirando grampos dos sofás que iam ser consertados) e auxiliar de logística (transportando almofadas com minha bicicleta). O preço da minha força de trabalho? D$ 5 por semana. Exploração de trabalho infantil? Não pra mim que fazia isso entre um jogo de futebol e outro.